Federeração de Esgrima do Estado do Rio de Janeiro
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História

A história da esgrima corre paralela á da própria humanidade. Na pré-história, quando o homem pega pela primeira vez um objeto para se defender dos animais, surge a esgrima. Foi quando se percebeu que usando um galho de árvore e quanto mais longo melhor, poderia não só se defender, como também poderia abater um animal para se alimentar.

Este mesmo galho ajuda-o a defender seu território. Surge a arma de guerra. Com a evolução do homem, sua arma de defesa e ataque vai se aperfeiçoando, tornando-se mais eficiente e mortífera.

Com o aparecimento do metal, as armas passaram a ser mais mortíferas em função dos golpes de percussão, como as dos egípcios, romanos, etc.

Com os árabes dominando a península ibérica, século XIII, o segredo da tempera é trazido para a Europa. Assim as laminas ficaram mais finas, fortes e resistentes. Até então, o que valia era o peso da arma, e a proteção das armaduras. Os cavaleiros da época das Cruzadas precisavam sempre de ajudantes para se preparar para o combate, e quando caiam do cavalo, ficavam a mercê de seus inimigos, pois mal conseguiam se levantar e manusear as armas.

Surge também uma espécie de esporte, os Torneios ou Justas que duravam o dia inteiro, até o por do sol, quando os feridos eram tratados e aconteciam as grandes festas e banquetes. Foi o início primitive da esgrima esportiva. A armadura passa a ser um empecilho ao combatente, pois enquanto este todo coberto de metal, deixava nas articulações espaço para que laminas mais finas o atingissem. Aos poucos as armaduras foram deixadas de lado e novas técnicas de combate eram desenvolvidas.

No final do século XV a Espanha dominava a arte da fabricação e o manejo das armas, tanto que em 1474 aparece o primeiro tratado de esgrima escrito pelos irmãos Pons e Pedrós Torres, os primeiros passos para a esgrima moderna.

Na Itália a evolução na prática da esgrima torna-se um fator importante no domínio das armas sobre os outros paises. Em 1553 Camilo Agripa escreve o primeiro tratado de esgrima, como posição de guarda, esquiva, parada, o uso do punhal, etc. Em 1660 um novo tratado, este de Alexandre Senésio propõe novas sugestões e mudanças no aprendizado. O material de uso no aprendizado já apresentava evoluções (luvas, proteção para o rosto) e começa a rivalidade entre a espada (origem francesa) e o sabre (húngaro).

O florete passa a ser usado em treinamentos, há coletes alcochoados para os treinadores e sob o reinado de Luiz XIV, a supremacia passa para a França, onde surge o ataque “a fundo”, os golpes são aperfeiçoados com o uso da capa e da adaga. As laminas ficam mais curtas, as paradas mais eficazes, aparece o copo protetor para a mão armada.

A ponta passa a ter importância fundamental, o jogo das pernas torna-se mais complexo e surgem, já no século XVII as primeiras escolas de esgrima. A nobreza continuava se matando em duelos, o que não era restrito apenas aos homens, as mulheres também se digladiavam. A arte da esgrima passa a ter importância não só como meio de estar preparado para o duelo, com também como forma de se manter em boa forma física.

O século XVII é aquele em que a esgrima conhece seu verdadeiro desenvolvimento. Em primeiro lugar o aparecimento do florete, arma inofensiva de lamina flexível, com um botão em sua ponta em forma de uma pequena flor, que permitia simular um duelo sem risco maior de ferimentos, depois a invenção da máscara que possibilitava um maior empenho de mestre e alunos nos treinamentos.

O estudo aprofundado das diversas posições e movimentos com as obras que foram aparecendo tais como “Academia da Espada” (G. Thibaust 1628), “Teoria da arte da Espada” (Philibert de La Touche 1670) “O exercício das armas e o manejo do florete” ( Le Perche du Coudray, 1676). O mestre de armas no exercício da espada” (Liancur, 1686) e “A arte do feito de armas ou da espada” (Labat, 1696), citando apenas algumas que surgiram nesta época“.

O século XVIII caracteriza-se por uma prática muito convencional, as saudações, reverencias, e outras posições supérfluas, ocupam um lugar importante dentro das cortes da Europa. Os últimos tratados dos séculos XVIII e XIX são mais científicos, aparecem muitos mestres d’armas, esgrimistas de excelente nível, ou velhos oficiais do exército de Napoleon. A França reconhece a esgrima como esporte nacional, o que provoca uma ebulição de idéias sobre a sua prática e ensino.

O fim do século XIX é marcado pelo reaparecimento dos Jogos Olímpicos. Em 1896, por iniciativa do Barão Pierre de Cobertain, acontece em Atenas a I Olimpíada da Era Moderna. A esgrima participa dos jogos com 13 esgrimistas representando 4 paises nas modalidades florete e sabre. Em 1900, em Paris entra também no calendário a espada. A partir de 1906 criam-se as primeiras federações nacionais de esgrima e em 1913 é fundada a Federação Internacional de Esgrima (FIE), que dá forma a um regulamento internacional para as provas e se aperfeiçoa a esgrima. Em 1924 na cidade de Paris acontece a primeira prova para as mulheres.

Até nossos dias, a esgrima vem evoluindo em todos os sentidos, sendo hoje os pontos assinalados por aparelhos eletrônicos.

A ESGRIMA NO BRASIL

Com a vinda de D. João VI e sua corte, veio também um mestre d’armas de origem francesa de nome Alexandre Guery, que pertencia ao Real Colégio de Nobres, para ensinar esgrima e dança aos nobres.

Em 1858 com a implantação da Escola Militar da Praia Vermelha (Rio de Janeiro) é nomeado o Sr. Antonio Francisco da Gama, mestre de esgrima, para dar aulas aos Oficiais de então.

Com a vinda da Missão Militar Francesa em 1906, o então presidente do Estado de São Paulo, Dr. Jorge Tibiriçá funda a Escola de Educação Física para os oficiais da Milícia (hoje Policia Militar). A Escola possuía dois cursos distintos: Ginástica e Esgrima, sendo mestre d’armas o Sr. Delphin Balancier, em que ao mesmo tempo, facilita a freqüência de civis, adultos e crianças. Como conseqüência saíram instrutores de esgrima para inúmeras associações e estabelecimentos particulares, tanto para São Paulo, como do Rio de Janeiro.

Em São Paulo, Clube de Regatas Tietê, Portugal Clube, Palestra Itália e no Rio de Janeiro, Fluminense F. Clube, Clube Português, Botafogo F. Clube, etc.

Em 5 de Junho de 1925 é fundada a Federação Paulista de Esgrima, com a participação de 8 clubes ou associações.

Em 1927 é fundada a União Brasileira de Esgrima, hoje Confederação Brasileira de Esgrima, com a participação de 5 Federações Estaduais.